LAOS – SABORES E ESPIRITUALIDADE

Acredito que viajar não é somente colecionar carimbos no passaporte ou fotos em álbuns na 'nuvem'. Aprendi com minhas mentoras neste assunto que viajar é sair do conforto do nosso 'mundo' para experimentar o novo e voltar um pouquinho diferente a cada nova experiência.

Para isto é necessário despir-se dos nossos hábitos e manias do dia a dia tornando assim possível entender o novo e aprender com ele.

Parte do meu trabalho é acompanhar grupos de viagem, os Grupos Amigos a Bordo, função que desempenho com muito prazer e carinho! Proponho aqui que embarquem nesta viagem comigo aprendendo e experimentando cada novo destino juntos. Espero conseguir trazer a cada nova viagem uma experiência nova, um costume, um sabor diferente para dividir com vocês. Como primeiro destino compartilho um local surpreendente, meio mágico. Laos é um pequeno país espremido entre a China e a Tailândia, que já fez parte do poderoso Império Khmer e já foi parte do protetorado francês na Indochina até 1949 quando se tornou independente.

A cidade mais visitada é Luang Prabang, eleita patrimônio cultural da humanidade pela Unesco pela sua bem preservada arquitetura, religiosidade e herança cultural. Chegar em Luang Prabang já é uma experiência interessante. O aeroporto muito charmoso fica no meio das montanhas verdes e sobrevoar o pequeno povoado de 55.000 habitantes mostra que estamos em lugar especial. Um lugar bucólico que parece que parou no tempo.

Visitar os mercados de rua é uma atração para os amantes dos novos sabores. Temperos, comidinhas de rua e frutas exóticas podem ser encontrados no mercado diurno que vale um passeio. Aliás, para quem gosta de culinária asiática vale a pena tirar um tempinho para uma aula de culinária que pode ser organizada durante a visita da cidade onde se pode aprender por exemplo, como fazer o talo de capim limão recheado com carne, prato típico da região. Só o uso de ingredientes conhecidos porém pouco utilizados no mundo ocidental já valem a experiência.

No mercado noturno as lanternas típicas da região dão uma iluminação especial a principal rua do centro histórico onde as tendas são montadas todos os dias no final da tarde.

Mas um costume em especial atrai a atenção de visitantes diariamente na cidade. Todos os dias antes dos primeiros raios de sol clarear o dia, um ritual é seguido pelas ruas de Luang Prabang. Monges budistas caminham em fila, com suas roupas laranja e em um exercício de humildade recebem doações de comida que colocam em urnas que carregam junto ao corpo. Esta será a única refeição do dia já que os monges só podem comer alimentos ofertados. As ofertas de alimentos são feitas pela população local que aguardam os monges ajoelhados sob esteiras na calçada. Os visitantes também podem participar desde que sigam algumas regras como comprar o arroz a ser ofertado no mercado local naquela manhã, não tocar nos monges e respeitar o ritual que é religioso e não uma tração turística.

Presenciar este ritual que faz parte da rotina da pequena cidade e sentir a humildade e gratidão dos monges de todas as idades nos faz refletir sobre nossos valores. O compromisso dos moradores que se ajoelham para ofertar a comida diariamente para aqueles que têm a missão de zelar pela espiritualidade e a humildade dos que recebem o alimento, são exemplos de desapego e comprometimento. Isto nos faz ver o mundo de outra forma e acreditar que ainda existe esperança.

O país ainda é pouco conhecido pelos brasileiros, a maioria dos turistas que visita o Laos são asiáticos e europeus, mas é uma opção bastante acessível para quem quer conhecer uma cultura pouco comentada no Brasil, experimentar novos sabores e quem sabe até se espiritualizar nas férias!

Aidê Stürmer Jones
Paralelo 30 Viagens e Turismo